Bela e a Fera revisitado


O clássico francês inspira os alunos a produzir textos cada vez melhores e a conhecer todas as etapas de produção de um livro

Ao planejar as atividades do 6º ano, a professora de Língua Portuguesa Margarete Ticianel, do Colégio Arbos, em Santo André (SP), tinha em mente trabalhar uma série de conteúdos previstos para esta etapa de ensino. Um dos objetivos era apresentar obras clássicas, promover a leitura individual e em grupo e organizar situações sociais de leitura, nas quais todos pudessem discutir a respeito. A outra meta era propor uma análise linguistica contextualizada e a produção de textos e ilutrações para um livro da turma. A obra escolhida foi Bela e a Fera, cuja versão original foi traduzida pela editora Poetisa. "Essa edição foi eleita porque queria romper com os esteriótipos de outras versões mais conhecidas da obra", explica a docente.

Nas primeiras três aulas, a turma se dedicou à leitura e ao debate. Cada estudante lia um trecho e todos conversavam sobre os efeitos de sentido. A professora aproveitava pra problematizar aspectos da morfologia do texto, como artigo, substantivo e adjetivo. Logo de cara, o próprio título da obra, tradicionalmente grafada como A Bela e A Fera, rendeu uma bela discussão. A retirada do artigo mudou a classe gramatical da palavra "bela", convertendo-a em substantivo. A caracterização dos personagens, por meio de substantivos e adjetivos, também foi debatida.

Na aula seguinte, a professora comentou que cada estudante faria uma ilustração com base no livro. Em sala, todos fizeram o planejamento de seu desenho, decidindo que personagem ou cenário iriam retratar. "Pudemos usar qualquer material e soltar a imaginação! Usei várias cores de glitter e alguns botões. Escolhi um papel escuro para deixar a imagem mais destacada", diz Sophia Hansen Bueno, 11 anos. Como ela, todos botaram a mão na massa. "As ilustrações ficaram muito diferentes entre si e, mais importante, fugiram muito das da Disney", comenta Margarete.

Fora da classe, as discussões seguiam cada vez mais enriquecedoras. No ambiente virtual de aprendizagem da escola (que pode ser substituido por um grupo de Whatsapp ou Facebook), a professora organizou um fórum de debates. O objetivo era preparar a turma para a atividade que viria na sequência: uma conversa com a editora Cynthia Beatrice Costa, responsável pela tradução da obra da Poetisa. Juntos, todos elaboraram uma lista de perguntas com o que gostariam de saber sobre o processo de edição de um livro.

Na sexta aula, um momento bastante aguardado pela turma. Cynthia explicou como funcionavam as etapas de produção de uma obra e qual era a função de um editor. O objetivo era prepará-los para a etapa final do projeto, em que eles editariam sua própria obra. As 4 turmas do 6º ano lotaram o anfiteatro da escola e companharam atentas as explicações, tomando notas. Cynthia falou sobre os papeis do editor e do tradutor, entre outros temas. Ao fim, ela autografou os exemplares. A turma se entusiasmou com a ideia. " Decidimos fazer o meesmo. Queríamos autografar nosso livro", diz João Pedro Caetano, 12 anos.

Na aula seguinte, a classe discutiu o poema narrativo. A pedido da professora, todos trouxeram exemplos. Havia de tudo, de trechos do Lusíadas, a fragmentos de cordel e de Morte e Vida Severina. O momento foi oportuno para debater a estrutura do gênero. "Fizemos a leitura e elencamos as ideias principais. As crianças perceberam a organização por estrofes, rimadas ou não, e que cada uma delas tinha uma ideia", diz a professora.

Com todo esse repertório, era a vez de produzir textos. A primeira versão surpreendeu a educadora, pela inventividade das histórias e pela qualidade das produção escrita. "Adoro fazer poesias. E escrever com inspiração na Bela e A Fera foi bastante divertido", conta Mateus Silva Mancini, 11 anos. Ela avaliou os trabalhos e preparou devolutivas individuais, com pontos a serem melhorados. "O que mais gostei foi ter a oportunidade de criar um poema sobre essa história. Fiquei pensando nela e fui escrevendo. Escrevemos uma vez e a professora leu e corrigiu os erros. Mudou pouca coisa", conta Gabriel Chicchi Grusnpan, 11 anos. "Fiz questão de não interferir na história criada por cada aluno. Minhas sugestões apontavam melhorias na ortografia e pontuação, basicamente", conta ela. O trabalhou contou com outros momentos de avaliação. Em todas as oficinas de leitura, os alunos faziam registros - pequenos trechos dessas produções eram selecionados para reflexão coletiva. Também houve uma autoavaliação. Cada criança teve que refletir, com base em comandas como: o que aprendi com essa atividade? o que preciso fazer mais para me desenvolver mais?

Agora, os estudantes preparam a segunda versão, que vai para o livro da turma, junto das ilustrações. O lançamento está marcado para outubro de 2016 e vai contar com a participação de alunos, professores e familiares. Não pode faltar a assinatura em cada um dos exemplares, que as crianças fazem questão de autografar. Afinal, elas já se sentem verdadeiros escritores.

Objetivos do projeto

- Ler individualmente e em grupo, conhecendo clássicos da literatura;


- Participar de situações sociais de leitura, discutindo a obra lida;


- Identificar recursos linguísticos, procedimentos e estratégias discursivas e relacioná-los ao seu gênero;
- Fazer uma análise linguística contextualizada;


- Produzir textos.



Resultados

- Produção de um livro com textos e ilustrações da turma;


- Aumento do gosto pela leitura e escrita;


- Engajamento de todos na construção de um ambiente mais participativo, em que as opiniões da turma são consideradas.

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